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domingo, 26 de outubro de 2014

Apartheid político

Eu votei Dilma!

Não, não estou feliz com os últimos quatro anos e me preocupa os próximos quatro; não compactuo com a corrupção; com a bandalheira ou com os pseudo investimentos em políticas públicas essenciais, as tais bolsas esmolas. Não me conforme com os valores absurdos investidos para a realização da copa do mundo.

Não, também não sou petista; não aprovo a forma de fazer política da maioria de seus militantes e de militantes dos outros partidos (embora não possa generalizar porque conheço muitos militantes éticos e de grande valor em todos os partidos), e, em verdade, raríssimas vezes votei em candidatos do PT, simplesmente porque nunca gostei de seu lider mor, aquele mesmo, dos quatro dedos. Nem por isso deixo de reconhecer o valor de muitos políticos desse partido.

Não, também não tenho nada contra o Aécio Neves, que até há uns dois anos era meu candidato natural para a presidência, enquanto os tucanos insistiam com o Serra. Ao contrário da massa, enquanto todos gritavam "Lula-lá,  brilha uma estrela", eu estava ali, engolindo as derrotas de José Serra e comemorando as vitórias de Geraldo Alckmin, que sempre teve meu voto, com exceção dessa última eleição. Na contra-mão, sou fã de carteirinha de FHC, meu eterno melhor presidente do país, mas não votei no candidato dele na última eleição municipal.

Também discordo da permanência de um mesmo partido ou pessoa pública no poder por tanto tempo, a ponto de se transformar em uma mini ditadura. 

Claro, como a maioria dos brasileiros, clamo por mudança, anseio por um país melhor, suspiro por um verde amarelo reluzente, vibrante e forte. Não sou alienada e não finjo viver no país das maravilhas. Quero escola de qualidade, saúde para todos, mais empregos e muita segurança.

Votei em Dilma não em razão de seu plano de governo furado, de suas propostas que não se cumprirão, de sua já comprovada falta de competência para administrar o país, e muito menos por achá-la melhor que o Aécio. Os mesmos motivos não me fizeram votar em Aécio, afinal, convenhamos, não havia nada de grandiosidade em seu programa de governo ou em suas propostas que, sabiamos, não seriam cumpridas. Sua candidatura, sua campanha, foi tão suja quanto a de sua adversária. O mesmo direciono aos demais candidatos. 

Não havia escolha, essa foi a eleição do menos pior. Foi a eleição protesto, o voto "vou mostrar para eles que o povo tem mais força". Foi uma eleição contra o PT, generalizando e misturando a sigla partidária com os chefões de quadrilha que vimos ser presos em razão do descarado mensalão e outras falcatruas. O povo nem se importou se os demais também tinham telhado de vidro e lixo para esconder embaixo do tapete.

No meu caso, escolhi Dilma pela lógica: olhei ao meu redor e percebi que o PSDB foi uma catástrofe na região em que vivo: meu sempre governador não fez juz ao meu voto nessa eleição e vendo a situação de minha cidade e de cidades vizinhas, administradas por tucanos, só pude pensar que minha insatisfação só aumentaria se Aécio replicasse essa incompetência na esfera federal. 

Escolhi a mesma varejeira para a mesma merda, afinal já conheço o cheiro. Nem Aécio, nem Marina, nem Luciana ou Fidelix fariam diminuir o perfume da mercadoria. Estamos carentes de gente decente na política, de políticos que estejam totalmente voltados para o bem de todos os brasileiros e não apenas em encher os bolsos de uns poucos e os seus próprios.

Nenhum deles tem do que se orgulhar, e menos ainda seus militantes e eleitores, que, sem perceberem, continuam com a campanha, não para um cargo político, mas uma campanha de intolerância, raiva, ódio, um apartheid moral e social, uma segregação cultural, num país que se orgulha da liberdade e da democracia.

Durante toda a campanha, e após a eleição, há apenas poucos minutos, tive a infelicidade de ver e ouvir muitos pessoas, dentre elas, inclusive,várias que considero inteligentes, decentes, éticas, generosas, e por quem tenho grande carinho e até estreita amizade e respeito, usando palavras de ordem contra uma região, um estado, grupos étnicos e culturais, simplesmente porque naqueles locais a votação em Dilma lhe rendeu a reeleição.

Para meu espanto vi pessoas dizendo que deixariam o Brasil; outras  propondo a separação do país entre as regiões que repudiaram Dilma e as que a ajudaram a ser reeleita; outros discriminando grupos étnicos; os que acham que sustentam o restante do país; eleitores sendo chamados de burros, alienados, vagabundos e tantos outros termos pejorativos. 

Tudo isso me fez entender porque não temos políticos decentes e honestos: na realidade, nós, seres humanos, homo sapiens, orgulhosos de sermos diferentes dos animais apenas por pensarmos, já não somos assim tão racionais. Vivemos, no último milênio um embate violento, uma imposição de opiniões a forceps. Pessoas querendo ser melhores que as outras apenas por pensarem de forma diferente.

E eu, que ainda muito jovem derramei lágrimas pelo movimento "Diretas Já" mesmo sem entender direito o que estava acontecendo; que vi Henfil de volta ao Brasil; vi o último presidente militar deixando o cargo e o primeiro eleito pelo povo tomando posse; não posso acreditar que estou vendo o mesmo povo se digladiando, se ofendendo, discriminando uns aos outros, depois de terem sofrido e lutado lado a lado para que a democracia saisse dos discursos inflamados e tomasse forma de fato e de direito, garantida pela Constituição que ajudamos a criar.

Tive medo. Medo que essa merda toda possa atingir meu filho e os filhos de meus amigos e os filhos de nossos filhos. Medo que num futuro próximo eu ainda consiga ver tomar posse um outro governo autoritário, ditador e que acabe nos proibindo de ir as urnas, fazendo com que voltemos a estaca zero.

Votei Dilma, sim! O voto é meu, vivo em um país democrático em que o presidente é eleito por voto direto e escolhido pela maioria de todos os brasileiros de norte a sul do país. Se nordestinos, mineiros ou cariocas votaram em Dilma, paulistas, gaúchos e paranaenses também; assim como o povo do centro-oeste, do norte e de todas as regiões também votaram em Aécio.

Deixem disso, somos um só, e todos temos direito a escolha, melhor ou pior, e até menos ruim.  

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

"Somos queijo gorgonzola" - texto da lindíssima Maitê Proença


"Estamos envelhecendo, estamos envelhecendo, estamos envelhecendo, só ouço isto. No táxi, no trânsito, no banco, só me chamam de senhora. E as amigas falam “estamos envelhecendo”, como quem diz “estamos apodrecendo”. Não estou achando envelhecer esse horror todo. Até agora. Mas a pressão é grande. Então, outro dia, divertidamente, fiz uma analogia.

O queijo Gorgonzola é um queijo que a maioria das pessoas que eu conheço gosta. Gosta na salada, no pão, com vinho tinto, vinho branco, é um queijo delicioso, de sabor e aroma peculiares, uma invenção italiana, tem status de iguaria com seu sabor sofisticadíssimo, incomparável, vende aos quilos nos supermercados do Leblon, é caro e é podre. É um queijo contaminado por fungos, só fica bom depois que mofa. É um queijo podre de chique. Para ficar gostoso tem que estar no ponto certo da deterioração da matéria. O que me possibilita afirmar que não é pelo fato de estar envelhecendo ou apodrecendo ou mofando que devo ser desvalorizada.

Saibam: vou envelhecer até o ponto certo, como o Gorgonzola. Se Deus quiser, morrerei no ponto G da deterioração da matéria. Estou me tornando uma iguaria. Com vinho tinto sou deliciosa. Aos 50 sou uma mulher para paladares sofisticados. Não sou mais um queijo Minas Frescal, não sou mais uma Ricota, não sou um queijo amarelo qualquer para um lanche sem compromisso. Não sou para qualquer um, nem para qualquer um dou bola, agora tenho status, sou um queijo Gorgonzola".

Maitê Proença

domingo, 22 de abril de 2012

À procura...de mim

Será? Ás vezes me pergunto quando tudo isso vai passar e simplesmente não tenho a resposta.   O cansaço me domina, o amargor enegrece meu coração, a apatia toma conta do meu cérebro e não deixa que meus pensamentos e ações se concluam. 

Me sinto cada vez mais distante da sereia criativa, inventiva, e sobretudo alegre e de bem com a vida, que tenho certeza, ainda existe em mim. Estou a sua procura, mergulhando nas profundezas do meu ser, e nada. Mesmo que às vezes eu a encontre, não consigo fazer com que venha à superfície - como sereia, ela é ágil e escapa novamente para as profundezas, onde já não tenho coragem de voltar. E é exatamente isso que necessito para trazê-la à tona: coragem de voltar a ser eu mesma, uma sereia aposentada, mas disposta a ser feliz sempre. 




quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Por isso somos diferentes dos animais: nós pensamos


Esses dias contei ao meu filho que o pai havia sonhado que eu estava grávida e esperávamos uma menina.

"Que legal né filho? Já imaginou você com uma irmãzinha? Que lindinha. Você já está um mocinho, ia poder ajudar a mamãe a cuidar dela".

Geralmente, a resposta é sempre um sonoro NÃO, EU NÃO QUERO E NÃO PRECISO DE UM IRMÃO! Mas, para minha surpresa, desta vez foi diferente. Com a maior calma do mundo, ele me olhou e disse:

"Você está mesmo grávida? É verdade"? 

"Não filho, foi só um sonho que seu pai teve e me contou. A mamãe não pensa em engravidar novamente".
.
"Ah! Tá. Sabe porque mãe, o problema de uma irmã é que eu até poderia ajudar você a cuidar, mas pensa bem: quando eu estiver com 18 anos, ela estará com 9. Você consegue imaginar a quantidade de coisas que ela terá com 9 anos? Será o dobro das coisas que eu tenho, porque, menina, você conhece como é. Veja as primas, elas acham tudo lindinho, tudo bonitinho, querem comprar tudo. Um monte de roupa e de sapato. Já imaginou o seu rico dinheirinho? Ainda bem que foi só um sonho, né? Só meu pai mesmo".

domingo, 9 de janeiro de 2011

Sereia aposentada não sabe nadar

Num daqueles momentos conversa fiada, meu filho me diz:

- Mãe, lá na Praça (Praça é Nossa), eles falaram assim: "cuide bem do seu filho hoje, porque ele vai escolher o seu asilo amanhã".

A mãe, no caso, eu, ri e respondi:

- É por isso que cuido de você muito bem, assim você me coloca num asilo com piscina, tá?

E ele:

- Claro que não, né, mãe. Prá que a piscina se você já vai ser bem velhona? Velhinha não nada, você não sabe? Eu vou é arrumar um lugar que tem comidas bem chiques, porque você adora.

Pausa para divagações.


- Mãe, o que é asilo? Eu posso ir também?


Terei que explicar à ele que sereia, mesmo aposentada, também nada.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Cada um tem o nome que merece ou do tempo em que nasceu...

Uma conhecida me contou que, por ter nascido na época do império, sua avó chamava-se Maria Imperina. Para emendar a conversa, sendo uma das primeiras em sua época, a ter nascido por uma cesariana, sua tia foi batizada como Maria Cesárea.

Usando essa lógica, sugiro as novas mamães, que, estando na era da tecnologia, registrem seus filhos como IPad ou IPod.

Ou então, como é costume aqui na terrinha utilizar o estrangeirismo para tudo, façam como aquela mãe que escolheu o nome do bebê em razão da etiqueta pregada na mais linda roupinha que a filha ganhou: Madeinusa (Made in USA).

domingo, 6 de junho de 2010

RELIGIÃO OU ESPIRITUALIDADE?


Dizem que Religião e Futebol não se discute. Será? E quando os assuntos se misturam?

Você deve se lembrar do episódio envolvendo os jogadores do Santos que aconteceu na Páscoa. Os craques santistas fizeram uma visita a uma entidade chamada Lar Espírita Mensageiros da Luz, que cuida de crianças com paralisia cerebral. O objetivo era entregar ovos de Páscoa e passar algum tempo com as crianças. Mas, alguns dos atletas, entre eles, Robinho, Neymar, Ganso e Fabio Costa, se recusaram a entrar na entidade e ficaram dentro do ônibus do clube, sob a alegação de que são evangélicos e a entidade era espírita.

Li esse texto no blog Umbanda on line e decidi postá-lo porque ele resume exatamente tudo o que muitos pensam sobre o assunto. O pastor Ed René Kivitz, autor do texto, expressou brilhantemente e de forma lúcida, os perigos da intolerância religiosa. Palmas para ele!

Os meninos da Vila pisaram na bola. Mas prefiro sair em sua defesa. Eles não erraram sozinhos. Fizeram a cabeça deles. Aliás, o mundo religioso é mestre em fazer a cabeça dos outros. Por isso, cada vez mais me convenço que o Cristianismo implica a superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião.
A religião está baseada em ritos, dogmas e credos, tabus e códigos morais de cada tradição de fé. A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais de todas e de cada uma das tradições de fé.
Quando você começa a discutir quem vai para céu e quem vai para o inferno, ou se Deus é a favor ou contra a prática do homossexualismo, ou mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar os favores de Deus, você está discutindo religião.
Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião.
Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, para decidir se deve ou não entrar nela, você está discutindo religião.
O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intolerância. A religião coloca de um lado os adoradores de Allá, de outro os adoradores de Javé, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de Shiva, de Krishna, os devotos do Buda, e por aí vai. E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos que pensam e crêem de forma diferente, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os diferentes deixem de existir, pois se tornam iguais a nós, ou pelo extermínio puro e simples, como já aconteceu e ainda acontece ao longo da História, através de assassinatos em nome de Deus, ou melhor, em nome de um deus, com “d” minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus.
Mas quando você concentra sua atenção e ação em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade que é comum a todas as tradições religiosas. E quando você está com o coração cheio de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz.
Os valores espirituais agregam pessoas, aproximam os diferentes, fazem com que os discordantes no mundo das crenças se dêem as mãos no mundo da solidariedade, na busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero e, inclusive, religião.
Em síntese, quando você vive no mundo da religião, você fica no ônibus. Quando você vive no mundo da espiritualidade que a sua religião ensina – ou pelo menos deveria ensinar, você desce do ônibus e dá um ovo de páscoa recheado de carinho, afeto e alegria para uma criança que sofre a tragédia e a miséria de uma paralisia mental”.

(Ed René Kivitz, pastor da Igreja Batista de Água Branca (SP), torcedor do Santos desde pequenino)

"Temos bastante religião para fazer-nos odiar uns aos outros,mas não o bastante para que nos amemos uns aos outros" (Jonathan Swift)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

É... globalização dá nisso

A ansiedade tomava conta: vovó e Faisca estavam saindo de férias e iam pra casa da Tia Mo pelo ar, de Azul. Madrugada do dia 12/12/09, 04 horas da matina. Acordei cambaleando, apressada para não perder hora.

Mesmo assim, não contava com a chuva que cairia minutos depois e que me fez levar quase o dobro do tempo para chegar em Viracopos. 

Eram 06h08. O vôo sairia às 06h15. O dificil foi  fazer beicinho pra  engrupir o "aeromoço de chão"  e tentar convencê-lo a parar o avião para o embarque dos dois. Perda de tempo. Não adiantou beicinhos, caras e bocas e nem um "PUTAQUEOPARIU".


- "Senhora, vá até a loja da Azul para remarcar a passagem, por favor"!

OK. Você venceu. Vamos lá. 06h20 - fila básica na tal loja. Umas cinco pessoas na minha frente e uma senhora já sendo atendida.

Meu humor, que já não era dos melhores, estava piorando a cada minuto demorado de espera. Meu único alento é que não fomos os únicos a perder o vôo. Outros também tiveram problemas no embarque e, assim, a fila anda... devagar, mas anda.

Com o saco prestes a estourar, escuto, assombrada, a atendente levantar o tom de voz com aquela senhora que já estava no balcão quando cheguei.

Pela conversa eu já havia entendido que os parentes dela haviam chegado poucos minutos após o fim do check in e embarcaram sem ter pago alguma coisa. Sei lá, isso não ficou claro pra mim, mas ela estava devendo algo que parecia ser a taxa de embarque ou excesso de bagagem e era pouco mais de R$ 30,00. E a moça explicava e explicava e a mulher não queria entender.

De repente, começou a falar alto, dizendo que aquilo era um roubo, que os parentes não foram avisados que teriam que gastar mais dinheiro, que se a pessoa não tivesse dinheiro como ia fazer, etc. etc. E não se contentando, resumiu:

- "Pode deixar por minha conta que vou procurar um "DEVOGADO" pra processar esse avião e vocês vão ter que pagar indenização. Vou agora mesmo no Procon". 


E a aeromoça de balcão: 

- " Não seja por isso, se a senhora quer assim, vamos fazer o procedimento correto. Vou fazer tudo por escrito e vamos todos assinar. Ai a senhora leva para o advogado, para o Procon e para onde mais quiser".

Ui! Doeu. Quase fui saindo de fininho, de tanta vergonha pela mulher. Aquilo foi demais pra mim aquela hora da manhã.


Já imaginou se ela soubesse que tinha um causidico logo atrás, no fim da fila? Eu não teria paciencia para explicar que era ela quem estava errada.  Ignorância é algo que não entra na minha cabeça e essa doença não distingue classe social, atinge todas.


Moral da história: nada contra a globalização, ao contrário, acho ótimo a oportunidade de todos terem acesso aos mais diversos meios de comunicação, transportes e tecnologia, etc. etc. 


Mas... como não podia deixar de ser, nada é perfeito. Até o aeroporto já perdeu o "gramour".






quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Eu adoro um Tiozão da Sukita*

Não gosto de tipos sarados nem muito "bunitinhos". Homem tem que ter cara de homem e corpitcho de gente normal. Assim como não tenho pretensões de ser a Barbie, não procuro pelo Ken ou qualquer príncipe encantado. Sou muito mais o Shrek. Ah! E não pode ter menos que 45-50 anos, porque eu adoro os tios da sukita.
Parto do pressuposto de que uma barriguinha sexy é melhor que um tanquinho cheio de calcinhas penduradas.

Meus amigos se divertem com o fato de eu gostar de homens mais velhos. Me chamam de Rainha da 3a Idade, Musa da Enfermaria, Miss Museu, Xuxa da Geriatria e por aí vai. Não me abalo, mas deixo claro minha preferência por peças de antiquário e não por peças de museu.

Adolescente, preferia os de vinte; aos vinte, os quarentões, e agora, aos 39, já me encanto com um cinquentão ou sessentão charmoso.

E essa minha preferência é compartilhada por muitas outras mulheres, embora tenha aumentado aquelas que adoram um baby beef.


O meu problema com os rapazes, sempre foi, inegavelmente, a falta de assunto. Sou extremamente cerebral (e isso não significa, necessariamente, ser racional) e preciso de estímulo constante para não me sentir entediada. Na minha opinião não há nada melhor que uma boa conversa com alguém inteligente e bem humorado.

Além de terem histórias pra contar, experiências pra trocar, e, obviamente serem emocionalmente mais estáveis (é claro que toda regra tem exceção, nas duas vias de direção), os gatões de meia idade são mais interessantes por conta dos detalhes: ouvem e respeitam nossas opiniões; incentivam e admiram nossa independência; andam do lado externo das calçadas e caminham ao nosso lado (não à frente); nos chamam pelo nome e não por apelidos como "docinho, anjinho, benzinho ou outro inho enjoadinho que inventam por ai. São cavalheiros, educados, mais refinados e mais diretos. E acima de tudo, sem qualquer hipocrisia de minha parte, sempre pagam as contas quando saem com uma mulher.

Se o assunto é sexo não decepcionam, ainda mais para quem tem a opinião de que sexo de qualidade é melhor que sexo em quantidade, embora um mixer dos dois não seja de todo desprezado. E pasme, tem muito vovozinho deixando no chinelinho de quarto os moçoilos sarados.

Ah! Eles também não fazem aquela cara de espanto quando se deparam com estrias e celulites (embora eu nem desconfie o que sejam...); suportam corajosamente a famigerada TPM e não se importam com sobrepeso (isso não quer dizer que apreciem bagulhos assumidos, portanto, não exagere na falta de cuidados).

Depois de toda essa propaganda, to escondendo meu "tiozão", antes que alguém se empolgue.



*Para quem não se lembra, o tio da sukita é um comercial de refrigerante em que um quarentão era chamado de tio por uma mocinha que ele tentava paquerar.

Tio da Sukita I Tio da Sukita II  Tio da Sukita III  Tio da Sukita - vingança

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Uma sereia... aposentada.


*a sereia foi retirada do meu caderno da 2a série (78)

Na minha juventude (ainda ontem), os atributos femininos não derivavam do pomar, mas do reino animal. As “boas” ou “boazudas” eram chamadas de gatas, tigresas, potrancas, peixões e... “SEREIAS”.


Sem falsa modéstia, fiz parte do time de sereias: 1,70m, 57 quilos. Sempre fui o que chamam de “falsa magra”. Tenho peito e bunda como toda brasileira.
E por que aposentada? Explico: não que eu esteja assim tão decadente, mas aos 3.9 já não tenho o corpinho de outrora. Além do mais, não se pode ignorar o princípio constitucional da beleza efêmera, de que “todas são iguais perante a lei... da gravidade! e que a sereia de ontem pode muito bem vir a ser a “baleia de amanhã”.
Como diz um amigo, no auge dos seus 26 anos, “que aposentada, que nada, você ainda dá um bom caldo”. Mas pergunte à mesma criatura (e a outros na idade dele), se namoraria uma sereia quarentona e, invariavelmente, a resposta será: “eu não, quem gosta de sopa é velho”.
Faça a mesma pergunta a um quarentão ou cinquentão, e ele, sem pestanejar, dirá preferir duas de 20, porque “quem gosta de antiguidade é museu”.
Daí o nome do blog:  “uma sereia... aposentada”.

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