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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

"Somos queijo gorgonzola" - texto da lindíssima Maitê Proença


"Estamos envelhecendo, estamos envelhecendo, estamos envelhecendo, só ouço isto. No táxi, no trânsito, no banco, só me chamam de senhora. E as amigas falam “estamos envelhecendo”, como quem diz “estamos apodrecendo”. Não estou achando envelhecer esse horror todo. Até agora. Mas a pressão é grande. Então, outro dia, divertidamente, fiz uma analogia.

O queijo Gorgonzola é um queijo que a maioria das pessoas que eu conheço gosta. Gosta na salada, no pão, com vinho tinto, vinho branco, é um queijo delicioso, de sabor e aroma peculiares, uma invenção italiana, tem status de iguaria com seu sabor sofisticadíssimo, incomparável, vende aos quilos nos supermercados do Leblon, é caro e é podre. É um queijo contaminado por fungos, só fica bom depois que mofa. É um queijo podre de chique. Para ficar gostoso tem que estar no ponto certo da deterioração da matéria. O que me possibilita afirmar que não é pelo fato de estar envelhecendo ou apodrecendo ou mofando que devo ser desvalorizada.

Saibam: vou envelhecer até o ponto certo, como o Gorgonzola. Se Deus quiser, morrerei no ponto G da deterioração da matéria. Estou me tornando uma iguaria. Com vinho tinto sou deliciosa. Aos 50 sou uma mulher para paladares sofisticados. Não sou mais um queijo Minas Frescal, não sou mais uma Ricota, não sou um queijo amarelo qualquer para um lanche sem compromisso. Não sou para qualquer um, nem para qualquer um dou bola, agora tenho status, sou um queijo Gorgonzola".

Maitê Proença

domingo, 20 de maio de 2012

Cativa-me - Gisele de Marie

Há alguns meses estou querendo postar esse texto de autoria de minha amiga diva Gisele de Marie. Assim como a autora, o texto é doce, sensível e verdadeiro, e traduz tudo aquilo que gostaria de dizer aos amigos.


CATIVA-ME

Cativa-me da maneira que tu quiseres, como tu souberes.

Cativa-me para que eu possa me doar... e tuas frágeis defesas não me assustem, não me confundam e não me façam imaginar que não desejas uma amiga, que preferes te fechar.

Cativa-me nos mínimos detalhes. Solte aquele sorriso brejeiro, por vezes irônico por fora, mas tão inocente e carente e bobo por dentro...

Cativa-me-me com tuas idéias e emoções, com tuas buscas, com teus gestos, com tua voz, teus modos de falar, com teu jeito de criança ou velha ou louca ou divertida ou séria ou alegre... ou, talvez, desconfiada, disfarçada de durona ou sabida só pra proteger tão sensível coração, tão vulnerável humanidade, tanta fome de ser ouvida, de comunicação, de gentileza, de uma alma amiga...

Cativa-me com teus olhos, com teu olhar profundo, sincero, comovido, singelo, fraterno, não os desvie, fita-me com confiança e permita que eu te olhe assim também, sem máscaras, sem receios e defensivas que não têm sentido numa amizade genuína, e que possamos nos compreender até mesmo no silêncio.

Cativa-me com teu desejo simples de sempre me ver feliz, crescendo, voando, e que eu possa te retribuir em dobro.

Cativa-me com teu abraço, com teu ombro amigo. Deixe-me abraçá-la, enxugar tuas lágrimas, derramar rios de ternura sobre tuas feridas.

Cativa-me com tuas palavras, fale-me de teus sonhos, de teus prazeres, trabalhos, alegrias, preocupações, cansaços e dores também. Venha cá, deita a cabeça aqui em meu colo, fala-me de teus medos, segredos, de tuas angústias e pesos. Conta-me sobre tua fantástica história, com tudo de maravilhoso nela, mas não esconda as cicatrizes e deixe que eu te conte a minha e te mostre minhas cicatrizes também. E depois, apliquemos curativos de carinho solidário nelas. Não tenha medo, não vai doer, eu não deixarei.

Cativa-me com simplicidade e humildade, com o íntegro e puro amor amigo. Porém, com certa calma, sem pressa, tentando generosamente me conhecer, entender minha mente e meu coração, de espírito aberto, sem subterfúgios, sem cálculos, sem zombarias com as quais meu coração de criança não sabe lidar, sem dúvidas sobre o poder e a força do cativar, e com certeza sobre ser amada incondicionalmente por uma alma que enxerga a tua e te reconhece. 

Cativa-me de dia ou de noite, na luz do sol ou embaixo da chuva, debaixo da lua imensa ou de nuvens cinzas, diante do esplendor da extraordinária aurora boreal ou da paisagem do cotidiano mais comum. 

Cativa-me sem dizer nada ou dizendo tudo, sorrindo ou chorando, eufórica ou cansada, calma ou irritada, animada ou deprimida, reflexiva ou impulsiva, acertando ou errando... Mas me cative de verdade, com vontade! E assim me brinde com o presente mágico de eu poder te oferecer o melhor de mim e das estrelas que aqui dentro brilham.

Gisele De Marie
Adoro essa foto da minha amiga Gisele.
Mulher inteligente, sensível, guerreira. Uma Diva!

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