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domingo, 9 de outubro de 2011

Saudade da minha Preta Gil

"Eu cheguei em frente ao portão, meu cachorro me sorriu latindo..." 

Mas dessa vez, diferente do que cantou Roberto, nada estava igual, tudo se modificou. Minha cachorra não estava no portão me esperando com seu sorriso latido. Depois de mais de 10 anos, minha Preta Gil me deixou. 

Discretamente, da mesma forma como entrou em minha vida, ela deixou a sua, há pouco mais de 2 meses. Morreu nos meus braços. E minha única alegria foi poder estar ao lado dela naquele momento difícil, porque ela esteve ao meu lado por todos esses anos, sempre me esperando no portão, sem saber se meus momentos eram bons ou não. 

Ela conseguiu fazer daquele instante, em que eu chegava, um dos meus melhores momentos. Ela me sorria latindo, me esperava descer do carro para me dizer que, se nem tudo ia bem, o seu amor por mim ainda estaria ali. 

Sinto sua falta. Aliás, todos aqui sentimos. Ela era companheira inigualável. Sempre presente, sempre alerta, nos protegendo, nos ensinando a amar incondicionalmente.

Demorei para conseguir lhe fazer uma homenagem, e prá dizer a verdade, nem consigo expressar tudo o que vai no meu coração. Mas eu precisava dizer o quanto a amei durante todos esses anos e o quanto sinto falta de sua presença, me esperando no portão.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Adeus, meu amigo.

"Minha vida seguia seu curso normal, na solitude por mim escolhida. Uma vida solitária por opção, sem atribulações, no meu compasso.

Um dia, caminhando pelas ruas enlevado por meus próprios pensamentos, eu o encontrei perdido e confuso. Quando nossos olhares se cruzaram entendi imediatamente o seu pedido de socorro e ao mesmo tempo sua promessa de que não atrapalharia a minha solidão tão escolhida, tão perfeita.  Naquele instante, o seu olhar me mostrou que seriamos felizes juntos.

E assim, por uma década nossas vidas se entrelaçaram. Minhas escolhas mudaram minha vida algumas vezes nesse período, mas nossa amizade não mudou, cresceu, se fortaleceu, tornou-se viva e pulsante.

Durante esses longos anos ele me brindou com sua alegria desmedida, sua teimosia em querer me ver feliz, mesmo nos meus piores momentos. Sua lealdade e seu amor eram incondicionais.

Hoje o cansaço do tempo tomou conta do meu grande amigo e ele se foi. Despediu-se de mim com aquele seu olhar menino, terno, aquele olhar de quem nada quer, apenas meu amor. Sem conseguir se levantar, sem vontade de comer e com a visão cansada, percebi nos seus olhos aquele mesmo pedido de socorro de uma década antes. Com o coração dilacerado e sem conseguir segurar as lágrimas que teimaram em lavar meu rosto por tempo suficiente para sangrar meu peito, tive que tomar uma das decisões mais difíceis da minha vida: ceifar o sofrimento de meu leal amigo e abrir uma ferida imensa no meu próprio coração, que dificilmente cicatrizará, por conta da saudade que, tenho certeza, não se aplacará com o tempo.

Fica em paz meu companheiro, meu amigo cão, meu cão amigo". 

Essa foi a minha tentativa de prestar uma última homenagem a um grande companheiro, chamado Francisco Buarque de Holanda Martins Gomes, o fila que conviveu com meu irmão por longos dez anos. Já velhinho e com muitas dificuldades, hoje foi sacrificado. Tenho certeza absoluta que para meu irmão foi como matar um pedaço dele mesmo. Meu alento é que por acreditar em outras vidas, creio que o Chicão foi alegrar o céu dos animais e será adotado por algum espírito solitário, que terá o prazer de sua companhia daqui pra frente.

domingo, 18 de outubro de 2009

Não morreram, partiram antes

O post de hoje é para minha amiga Silmara e suas filhas, na tentativa de apaziguar os sentimentos de seus corações doloridos.

A Deus não importa quem fomos ou quem somos, mas quem seremos diante da escolha entre evoluir e ficar estagnado no mesmo caminho. A evolução é a direção de todo espírito e a grandeza de Deus está em não permitir que nenhum de seus filhos retroceda no caminho escolhido, ao contrário, sempre nos acena com uma nova oportunidade e nunca nos proibe de escolher entre seguir e ficar.


Não morreram, partiram antes (Amado Nervo - poeta mexicano)
Choras teus mortos com tamanho desconsolo que, dir-se-ia, és imortal
Not dead, but gone before, diz sabiamente o prolóquio inglês: "Não morreram, partiram antes".
Tua impaciência se move como loba faminta, ansiosa de devorar enigmas.
Pois não morrerás logo depois, e forçosamente não virás a saber a solução de todos os problemas que são de diáfana e deslumbrante sutilidade?
Partiram antes... Por que interrogá-los com nervosa insistência?
Deixa que eles sacudam o pó do caminho, que descansem no regaço do Pai e ali curem as feridas de seus pés andarilhos; deixa que ponham seus olhos nos verdes prados da paz...
O trem espera. Por que não preparar o bornal de viagem? Esta seria mais prática e eficaz tarefa.
Ver teus mortos é de tal modo premente e inevitável que não deves alterar com a menor ansiedade as poucas horas de teu repouso.
Eles, com um conceito total do tempo, cujas barreiras transpuseram de um salto, também te aguardam tranquilamente. Foi que simplesmente tomaram um dos trens anteriores.



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