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domingo, 9 de outubro de 2011

Saudade da minha Preta Gil

"Eu cheguei em frente ao portão, meu cachorro me sorriu latindo..." 

Mas dessa vez, diferente do que cantou Roberto, nada estava igual, tudo se modificou. Minha cachorra não estava no portão me esperando com seu sorriso latido. Depois de mais de 10 anos, minha Preta Gil me deixou. 

Discretamente, da mesma forma como entrou em minha vida, ela deixou a sua, há pouco mais de 2 meses. Morreu nos meus braços. E minha única alegria foi poder estar ao lado dela naquele momento difícil, porque ela esteve ao meu lado por todos esses anos, sempre me esperando no portão, sem saber se meus momentos eram bons ou não. 

Ela conseguiu fazer daquele instante, em que eu chegava, um dos meus melhores momentos. Ela me sorria latindo, me esperava descer do carro para me dizer que, se nem tudo ia bem, o seu amor por mim ainda estaria ali. 

Sinto sua falta. Aliás, todos aqui sentimos. Ela era companheira inigualável. Sempre presente, sempre alerta, nos protegendo, nos ensinando a amar incondicionalmente.

Demorei para conseguir lhe fazer uma homenagem, e prá dizer a verdade, nem consigo expressar tudo o que vai no meu coração. Mas eu precisava dizer o quanto a amei durante todos esses anos e o quanto sinto falta de sua presença, me esperando no portão.

domingo, 2 de janeiro de 2011

A fugitiva

Sexta-feira, 31 de dezembro de 2010, 17h00.
No auge da crise alérgica que me atacou no meio da semana, saio apressada para ir ao mercado, na tentativa de conseguir alguma coisa para a ceia de ano-novo decidida de última hora.

O cansaço e a tosse me fizeram negligenciar o fato de que minha cachorra, Preta Gil, estava a espreita, pronta para seus passeios pela rua.

Eu saí, e ela saiu logo atrás, enquanto o portão se fechava. Não liguei muito, porque sabendo que ela tem pavor de rojões, o passeio não duraria mais que alguns minutos.

18h15
Volto do mercado e sou avisada de que a tal Preta Gil, ainda não havia retornado. Estranhei a demora, mas não me preocupei, afinal, com tantos rojões, ela não poderia estar longe.

19h00
Resolvi sair para procurar a fugitiva. Percorri as ruas do bairro, que é pequeno, e voltei para casa na expectativa de encontrá-la no portão, me esperando. Em vão.

20h00
Saí mais uma vez, e novamente por volta das 21h30. Nada. A essa altura a preocupação e o pânico me rondavam. Os fogos ricocheteavam no céu noturno, fazendo estremecer as estrelas.

22h30
Com tristeza, sentamos para jantar. Nosso ano-novo começava a perder a cor, embora o barulho não fosse esquecido. A cada novo espocar, meu coração me lembrava que a fugitiva tinha pavor de rojão.

As horas passavam e a tristeza e o inconformismo nos assaltava. A noite custou a passar, assim como a tosse que não me largava.

Sábado, 01 de janeiro de 2011, 07h00
Aproveitando que todos estariam dormindo e que não haveria qualquer ribombar de rojões, saimos mais uma vez a sua procura. Nada. Vasculhei os matos, as construções, as ruas, me atentando a cada montinho preto que enxergava ao longe. Nada, nem sinal.

10h00
Mais uma vez saio a procura, já me distanciando cada vez mais de minha casa. Numa última tentativa, chego a ir até o bairro onde residia seis meses atrás... e nada.

15h00
Cansada e quase conformada com a "evaporação" da Pretinha, com a ajuda de amigos, fiz a derradeira ronda e não a encontrei. 

17h00
O sono tomava conta de mim, aquela tosse chata não dava trégua, e a tristeza pela perda encheu meu coração.
Dei um fim às buscas e resolvi dormir para esquecer, embora minha mãe insistisse para que saissemos novamente no dia seguinte, bem cedo.

22h30
Mesmo sabendo que ele tinha outras preocupações, mais uma vez roguei à Deus e aos amigos espirituais que me dessem uma colher de chá e a trouxessem de volta. Caso contrário, que não deixassem que ela fosse maltratada ou que passasse fome e sede. 

Domingo, 02 de janeiro de 2011, 01h15
Cochilei, depois de muito tossir, e acordo sobressaltada com os latidos da minha "louca" Paris. Ao fundo, ouço um choramingar cansado, fraco, que vinha do portão. 

Levantamos num salto, eu e minha mãe, e como desvairada fui acendendo as luzes e abrindo portas. Do corredor avisto, no portão, a minha Pretinha, minha encrenqueira Preta Gil, esperando para entrar. 

A esse altura, o Dudu também já havia acordado com o tropé, e, as 02h00 da manhã estávamos comemorando o novo ano, felizes com o retorno da fugitiva. Ela, como louca desvairada, acompanhada de perto pela Paris e pelo Peter, percorreu todos os cômodos da casa e só depois parou para tomar água e se fartar de ração.

09h30
Acordei cansada e com dores no corpo de tanto tossir, mas acordei alegre ao me deparar com aquela coisa preta e balofa, dormindo, esparramada na sua caminha. 

Dou graças à Deus por ter me deixado tê-la de volta, afinal, são dez anos de convivência, de respeito mútuo, de amizade, de lealdade, de amor e carinho.



Minha pretinha já está bem velhinha, não anda direito por conta da artrose e dos problemas de coluna, é bem gorda e se cansa fácil. É a cachorra mais brava e mais valente que já conheci, com ou sem raça definida. É uma cachorra esperta, leal e amorosa. Só arranca pedaços de estranhos que tentam lhe fazer mal ou que tentam fazer mal a mim ou aos meus. Ela sempre foi acostumada a dar os seus passeios, mas sempre voltou para casa. O mais engraçado é que quando volta, tem a cara de pau de sentar no portão e ficar latindo para que alguém abra. Por isso é que não me conformava com o seu sumiço. Agora, minha curiosidade é saber onde foi que ela estava enfiada durante todo esse tempo, mas isso é algo que jamais vou descobrir, porque, mesmo com toda  a sua esperteza, ela ainda não aprendeu a falar, rsrsrsrs.

Ele se foi

(Escrevi este texto há pouco mais de um mês, e o engavetei, por falta de tempo e pela tristeza do ocorrido. Menos de um mês após perder um dos maiores amigos cães, Chico, meu irmão perdeu seu outro cão amigo, o Júlio. Mesmo não sendo velhinho, ele ficou muito doente, e um tumor lhe tirou a vida. Tudo isso nos entristeceu muito, mas o que fazer? C'est la vie. Para aplacar a dor de mais outra bordoada, meu irmão já resgatou outro cão das ruas: o Branco. Seja bem vindo, amiguinho.)



Ele se foi... Júlio - César ou Iglesias, que foi Tobias, foi Skol, foi sem teto, foi sem dono. Ele se foi...

Em sua curta passagem por nossas vidas, deixou a cada um de nós um olhar de carinho, de amor, de agradecimento.

Era assim o nosso Júlio. E digo nosso, porque assim ele foi recebido.

Era o queridinho, porque realmente era muito querido. Tinha aquele olhar meigo e triste, mas que também demonstrava gratidão. 


Gratidão por ter sido acolhido, quando outros o desprezaram, o maltrataram e o abandonaram. Gratidão por ter sido socorrido, quando outros nem lhe notaram. Por ter sido amado, quando ele sequer tinha idéia do que significava amor.

Gratidão por ter sido acolhido no final de sua breve vida. Só hoje percebo que ele, a seu modo, nos agradecia por tê-lo tirado das ruas e lhe dado a  oportunidade de mostrar que ele, de fato, era um grande e leal amigo. Saudade de você, "amarelinho". Acho que não aguentou ficar sem o Chicão, e foi lhe fazer companhia no céu dos cachorros. 

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Adeus, meu amigo.

"Minha vida seguia seu curso normal, na solitude por mim escolhida. Uma vida solitária por opção, sem atribulações, no meu compasso.

Um dia, caminhando pelas ruas enlevado por meus próprios pensamentos, eu o encontrei perdido e confuso. Quando nossos olhares se cruzaram entendi imediatamente o seu pedido de socorro e ao mesmo tempo sua promessa de que não atrapalharia a minha solidão tão escolhida, tão perfeita.  Naquele instante, o seu olhar me mostrou que seriamos felizes juntos.

E assim, por uma década nossas vidas se entrelaçaram. Minhas escolhas mudaram minha vida algumas vezes nesse período, mas nossa amizade não mudou, cresceu, se fortaleceu, tornou-se viva e pulsante.

Durante esses longos anos ele me brindou com sua alegria desmedida, sua teimosia em querer me ver feliz, mesmo nos meus piores momentos. Sua lealdade e seu amor eram incondicionais.

Hoje o cansaço do tempo tomou conta do meu grande amigo e ele se foi. Despediu-se de mim com aquele seu olhar menino, terno, aquele olhar de quem nada quer, apenas meu amor. Sem conseguir se levantar, sem vontade de comer e com a visão cansada, percebi nos seus olhos aquele mesmo pedido de socorro de uma década antes. Com o coração dilacerado e sem conseguir segurar as lágrimas que teimaram em lavar meu rosto por tempo suficiente para sangrar meu peito, tive que tomar uma das decisões mais difíceis da minha vida: ceifar o sofrimento de meu leal amigo e abrir uma ferida imensa no meu próprio coração, que dificilmente cicatrizará, por conta da saudade que, tenho certeza, não se aplacará com o tempo.

Fica em paz meu companheiro, meu amigo cão, meu cão amigo". 

Essa foi a minha tentativa de prestar uma última homenagem a um grande companheiro, chamado Francisco Buarque de Holanda Martins Gomes, o fila que conviveu com meu irmão por longos dez anos. Já velhinho e com muitas dificuldades, hoje foi sacrificado. Tenho certeza absoluta que para meu irmão foi como matar um pedaço dele mesmo. Meu alento é que por acreditar em outras vidas, creio que o Chicão foi alegrar o céu dos animais e será adotado por algum espírito solitário, que terá o prazer de sua companhia daqui pra frente.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Pousada do Cachorro Quente - Aceito reservas



"Mãe, já resolvi tudo. Sabe o que eu vou ser quando crescer? Sabe?

Sei: um homem grande.

Não, mãe. Vou ser veterinário e a minha clínica vai ser bem mais chique que a do Fábio. Sabe por quê?

Não...

Vai ter até piscina, mãe...

??? Piscina pros cachorros nadarem?

É claro, né! Cachorro também é gente, eles querem nadar. E a gente pode nadar juntos.

Ah! Veterinário moderno.

É, e eu já tenho quatro amigos da classe para trabalhar comigo. Eles já me garantiram que vão.

Sei, eles serão empregados da sua clínica?

Não, né, mãe. Nós vamos trabalhar juntos.

Que bom, você já tem quatro sócios. 

É, e vai ser muito legal, mãe. Já imaginou todos nós dando banho nos cachorros, na piscina? Até trampolim vai ter".

Esse é o Faísca.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Nosso Zoo particular



Se há dez anos me perguntassem se eu queria um cachorro ou qualquer bicho que fosse, teria respondido de imediato que lugar de bicho é no zoológico.
-"Não, obrigada, não gosto de animais".
Realmente nunca fui fã de animais, domésticos ou não, quadrúpedes ou não. Gato para mim, só com duas belas pernas. Contudo, ao cuspir pra cima, corre-se o risco de cair na cara.


E foi exatamente o que aconteceu comigo. Hoje, em minha casa, há um cachorro por habitante, sem contar os passarinhos.


Há 9 anos fui adotada pela Preta Gil. Todas as noites esgueirava-se por uma fresta do meu portão, e, por mais que eu a enxotasse, ela sempre retornava. Quando percebi, um mês depois, havia, além dela, nove filhotinhos, todos nascidos em um buraco que ela cavou no quintal. Doei todos eles, mas não consegui ficar sem a doida da Preta. Ela foi enviada por Sedex-10, especialmente pra mim: não pulava, não lambia e não passava da soleira da porta. Acabei deixando que ela entrasse em minha vida e até tender nós já dividimos no Natal. O tempo passou mas ela continua firme em seu propósito de ser feliz comigo. Entendi perfeitamente o significado de lealdade e amor incondicional. Ela respeita minhas  limitações como ser humano e me ama mesmo sabendo que não faço "festinha" cada vez que ela se aproxima. Fica lá, na dela, quieta, ao meu lado. É uma companheira como poucos da minha espécie.


Ao contrário de mim, meus irmãos sempre foram apaixonados por animais. Na mesma época em que a Preta me encontrou, meu irmão foi adotado por um casal de fila, Chico e Kyara e, mais recentemente, por um labrador, Júlio.

Quando o Marco os encontrou, o Chico e a Kyara estavam perdidos pelas ruas de Piracicaba  e aquele amor à primeira lambida perdura até hoje. A Kyara, infelizmente, já partiu. Como diz meu filho, está morando no céu com o vovô. E se existe céu para cachorros (e eu acho que existe), ela realmente está lá. Tenho certeza de que a Kyara não era só uma cachorra, mas uma "lady" disfarçada de cachorro. Era a delicadeza em forma animal.



O Chico (Francisco Buarque de Holanda Martins Gomes), por sua vez, parece não envelhecer. Quanto mais o tempo passa, mais moleque ele fica. Tá sempre correndo de lá pra cá, alegre e saltitante. É uma criança crescida, de quatro patas.







Já o nosso cover do Marley, Júlio (César ou Iglesias), foi encontrado pelas ruas, desnutrido e muito doente e deixado aos cuidados de um veterinário amigo do meu irmão. Como o cara é "mui amigo", cuidou do bichinho e depois tratou de arrumar um lar para ele: nossa casa. Ele é muito fofo. Tem aquela cara de cachorro que caiu da mudança, um ar melancólico e olhar meigo.




Nossa última mascote é uma lhasa de 06 meses, chamada Paris (Hilton). É a única que não foi adotada, mas é filha da Pipoca, cachorra que a minha irmã achou nas ruas de Maringá, há uns  seis anos. Minha irmã deu para meu filho, que era louco por um cachorrinho que ele pudesse carregar e brincar. O nome ele tirou de uma dinossaura do desenho Dinossauro Rei. E ela é realmente uma dinossaura: está comendo praticamente a  casa inteira.






E não termina por aqui. Nós também temos 07 calopsitas e 01 agaporni (por enquanto):  Zé, Loro, Cléo, Kiko, Kyra, Loreta, Preto e Grandão. Pode acreditar, eles também acham que são gente.





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