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terça-feira, 5 de agosto de 2014

Dói, sim.

Uma vez, há muito tempo, alguém me disse que precisava sair da minha vida para que eu pudesse ser feliz. Ainda que fosse muito jovem, nunca acreditei naquelas palavras, porque a dor da ausência não pode fazer qualquer pessoa feliz.

A ausência imposta, dói, machuca, fere e, suas consequências, algumas vezes, perduram por um longo tempo. Mas, como todas as outras, essa dor também vai diminuindo, e o tempo trata de cicatrizar as feridas. 

A pessoa realmente saiu de cena, me deixou viver e eu, claro, acostumada com a sua ausência, que não doía, mas se fazia silenciosamente presente, fui feliz. 

Vivi minha vida com intensidade, com paixão, e cercada de muito amor. Aquela ausência virou parte de mim, era uma presença constante, uma lembrança boa, memórias de um tempo que não voltaria mais. Me fez crescer, me fez forte.

Mas a vida não tem script, não tem marcação de texto, não tem direção. A vida é a vida, pulsante, elétrica, em movimento. E nessas tão famosas "voltas que a vida dá", sem aviso, sem tempo para ensaio, sem preparação, fui transportada de volta para aquele mesmo tempo, com a mesma pessoa, que, mais uma vez, me disse que precisa ir embora para que eu continue a ser feliz. E mais uma vez, não me deu opção de escolha, apenas me deixou de presente aquela mesma ausência, que hoje, voltou a doer. 


domingo, 27 de julho de 2014

Declaração de amor aos meus amores


Aprendi, ao longo da vida, que agradecer é fundamental e faz o mundo evoluir. Então, tirei esse momento, em que meu coração está pleno de alegria, para agradecer ao Pai Criador por me dar a oportunidade de evolução nesse planeta ao lado de pessoas que muito de si me deram e contribuíram para que eu possa ser o que sou.


Não me importa se chegaram ontem, há uma década ou mais, ou se ainda estão por vir. O que importa é o amor que me dedicam, os sorrisos compartilhados, os abraços apertados, os puxões de orelha para a realidade, o riso fácil.
 
Quero que cada um de vocês saiba o quanto é importante em minha vida, o quanto doou para sustentar meu espírito, tantas vezes perdido, muitas vezes feliz. Não, ainda não sou um espírito livre, equilibrado e em paz, mas percebo que a evolução se apresenta dia a dia e que cada um dos meus sorrisos, ouvidos e abraços para cada um e de cada um, me ajuda a subir estes longos degraus.

Mais jovem, me sentia feliz por meus dedos serem insuficientes para contar os inúmeros amigos que me rodeavam. Hoje, minha felicidade é conseguir separar os verdadeiros amigos, irmãos fraternos, daqueles que estão por aqui apenas para fazer parte da caminhada; porque descobri que os verdadeiros amigos não caminham juntos: eles ficam na concentração; estão ao longo do percurso ou te esperam na linha de chegada; porque são necessários para fortalecer o nosso caminhar, afinal, são os que nos incentivam, nos estendem as mãos e nos recebem com abraços.

Muitos de vocês nem se conhecem e outros se conheceram através de mim, mas quero que todos saibam da importância que tem nessa minha estrada e por isso lhes declaro esse amor para que jamais esqueçam que são amados, porque, todos os dias, quando me levanto, dou graças a Deus por ter a certeza de ser amada por vocês e isso ilumina o meu dia.

Muito obrigada, de coração e alma.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

"Somos queijo gorgonzola" - texto da lindíssima Maitê Proença


"Estamos envelhecendo, estamos envelhecendo, estamos envelhecendo, só ouço isto. No táxi, no trânsito, no banco, só me chamam de senhora. E as amigas falam “estamos envelhecendo”, como quem diz “estamos apodrecendo”. Não estou achando envelhecer esse horror todo. Até agora. Mas a pressão é grande. Então, outro dia, divertidamente, fiz uma analogia.

O queijo Gorgonzola é um queijo que a maioria das pessoas que eu conheço gosta. Gosta na salada, no pão, com vinho tinto, vinho branco, é um queijo delicioso, de sabor e aroma peculiares, uma invenção italiana, tem status de iguaria com seu sabor sofisticadíssimo, incomparável, vende aos quilos nos supermercados do Leblon, é caro e é podre. É um queijo contaminado por fungos, só fica bom depois que mofa. É um queijo podre de chique. Para ficar gostoso tem que estar no ponto certo da deterioração da matéria. O que me possibilita afirmar que não é pelo fato de estar envelhecendo ou apodrecendo ou mofando que devo ser desvalorizada.

Saibam: vou envelhecer até o ponto certo, como o Gorgonzola. Se Deus quiser, morrerei no ponto G da deterioração da matéria. Estou me tornando uma iguaria. Com vinho tinto sou deliciosa. Aos 50 sou uma mulher para paladares sofisticados. Não sou mais um queijo Minas Frescal, não sou mais uma Ricota, não sou um queijo amarelo qualquer para um lanche sem compromisso. Não sou para qualquer um, nem para qualquer um dou bola, agora tenho status, sou um queijo Gorgonzola".

Maitê Proença

sábado, 13 de outubro de 2012

Apenas algumas divagações - Marla de Queiróz

Marla de Queiróz é uma poeta carioca, uma diva divina, uma pin up moderna. Seus escritos, seus poemas, traduzem expressamente os sentimentos de todas as mulheres, divas dos tempos modernos. 

Em um de seus blogs, o transFLORmar-la, encontrei esse texto que tem tudo a ver com meu momento, com meus pensamentos, com minhas eternas e incertas incertezas.

Com vocês, Marla de Queiróz:
"O corretor do word nunca aceita a minha construção de frases e tenta me convencer de que tenho uma maneira errada de dizer as coisas. Brigamos constantemente porque sei que ele não entende muito de licenças poéticas. Mas me incomoda o sublinhado embaixo de fases inteiras. Por que não posso escrever no contrafluxo dos sentimentos?

O corretor de imóveis nunca entende ou encontra o tamanho do lugar em que eu consigo caber. Eu não posso abandonar meus livros e abrir mão de acordar com a luz do dia. Eu só durmo em paz na minha cama box e preciso de um guarda-roupas grande. Por que não posso querer as coisas do tamanho que eu acho devam me acolher?

O corretor de confusões mentais leia-se terapeuta, nunca conseguiu me convencer de que eu precisava me desvencilhar do caos. É dentro dele que eu encontro força para me equilibrar. É dentro desta desorganização absoluta que eu consigo encontrar o ineditismo da criação. Por que não posso ser diagnosticada como autêntica, em vez de complicada?

O corretor de rasuras, “liquid paper”, nunca me pareceu útil. Gosto das palavras riscadas como um “ato falho”, o dito que não pretendia dizer nada... Por que não se pode desabotoar num texto aquilo que não se pretendia explícito?

Sempre achei que o papel da poesia era apenas desencadear emoções ou socorrê-las. Nunca corrigi-las. Mas fico relendo o que escrevi nas minhas narrativas e procurando equilíbrio no meu jorro de palavras. Como domar a escrita instintiva, intuitiva?

O moço que me amava e não era correspondido, dizia que tenho medo de amar. Expliquei que não era medo, mas desinteresse. Por que algumas pessoas não conseguem escutar exatamente o que foi dito pra tentar corrigir nossa recusa catando ilusões nas entrelinhas?

Por que essa tentativa de resgatar o que já nasceu desperdiçado"?

(texto publicado no blog transFLORmar-la, em 21/08/2012)

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